Meu filho vive preocupado, inquieto e com medo excessivo: Entenda a ansiedade infantil e quando buscar ajuda.
- Carolina Bittencourt

- 16 de fev.
- 2 min de leitura
O que é ansiedade infantil?
A ansiedade infantil é compreendida, no campo científico, como uma resposta de antecipação a ameaças percebidas, caracterizada por ativação fisiológica, pensamentos catastróficos e comportamentos de evitação.
No desenvolvimento típico, a ansiedade é parte adaptativa do crescimento.
Contudo, quando se torna persistente, intensa e desproporcional ao contexto, pode indicar dificuldades na regulação emocional e no processamento cognitivo do medo.
Sob a perspectiva gestáltica, a ansiedade é descrita como excitação sem suporte suficiente no ciclo do contato, ou seja, energia mobilizada que não encontra integração adequada no self.
Oaklander (1980) compreende que crianças ansiosas frequentemente apresentam fragilidade nas fronteiras de contato e baixa confiança no próprio senso de si.
Em outras palavras:
Em termos simples, a ansiedade acontece quando a criança vive como se algo ruim estivesse sempre prestes a acontecer. Ela pode ter medo exagerado de errar, dificuldade para dormir, preocupação constante com escola ou separação dos pais, ou sintomas físicos como dor de barriga e taquicardia. Toda criança sente medo em algum momento, isso é saudável. O problema começa quando o medo passa a controlar a rotina da criança.
Como a clínica trabalha a ansiedade segundo os autores
Na Gestalt-terapia com crianças, o foco não está apenas na redução do sintoma, mas no fortalecimento do self.
Oaklander propõe ampliar consciência corporal (respiração, tensão muscular), trabalhar metáforas do medo e favorecer expressão simbólica da ansiedade por meio de desenho, dramatização e técnicas projetivas.
Brisbois (2016) demonstra que, quando a criança simboliza experiências ansiosas e recebe validação relacional, ocorre integração de partes fragmentadas da experiência. Aguiar (2014) reforça que o vínculo terapêutico funciona como base segura para reorganização emocional.
Ou seja, trabalhar o movimento do corpo, a compreensão do medo, a expressão da ansiedade por meio da brincadeira, a validação ("sim, você está se sentindo ansiosa, compreendo e vejo isso"), e estar em relação com aquela criança enquanto ela sente os sentimentos assustadores que a assolam, é o que funciona na terapia com a ansiedade.
Pesquisas contemporâneas indicam ainda que a ansiedade infantil está fortemente associada à regulação emocional parental e ao estilo de resposta dos cuidadores. Assim, o papel dos pais nesse processo é indispensável.
Como os pais podem ajudar em casa
A literatura científica aponta algumas estratégias fundamentais:
Evitar reforçar evitação excessiva: proteger demais pode manter a ansiedade.
Validar sem catastrofizar: “Eu entendo que você está com medo” é diferente de “Realmente, isso é assustador mesmo”.
Ensinar estratégias corporais simples: respiração lenta, identificar onde o medo aparece no corpo.
Criar previsibilidade: rotina estruturada reduz incerteza.
O mais importante: não minimizar nem ridicularizar o medo. Crianças ansiosas precisam sentir que seu mundo interno é compreendido.
Conclusão: quando buscar ajuda
Ansiedade infantil não é “drama” nem “fase” quando começa a interferir no sono, na escola ou na socialização. É um sinal de que a criança precisa de mais suporte emocional do que consegue acessar sozinha.
No meu trabalho clínico com Gestalt-terapia infantil, fortaleço o senso de si da criança, ampliando consciência corporal e emocional, integrando experiências ansiosas e oferecendo orientação técnica aos pais.
Se seu filho vive preocupado, evita situações ou apresenta sintomas físicos recorrentes ligados ao medo, buscar acompanhamento psicológico especializado é um passo essencial para prevenir que a ansiedade se torne crônica.




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