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Quando o brincar se torna terapia: insights da abordagem de Oaklander

  • Foto do escritor: Carolina Bittencourt
    Carolina Bittencourt
  • 12 de fev.
  • 2 min de leitura

Em psicoterapia, há dimensões que a linguagem e a lógica muitas vezes não alcançam e é justamente nesse território que o brincar ganha significado clínico profundo. No artigo “It actually reveals things to me about myself”, Peter Mortola (2015) resgata a centralidade do brincar na terapia, especialmente no contexto da abordagem de Violet Oaklander, uma das referências em Gestalt Play Therapy.


O autor parte de uma crítica à postura contemporânea da clínica, na qual a busca por resultados mensuráveis e a ênfase racional constrangem o lugar do jogo no processo terapêutico. A proposta de Oaklander rompe com essa limitação ao transformar o brincar em uma ponte entre o imaginário e o real.


Por que brincar importa?

Mortola destaca que o brincar não é “coisa de criança”: ele é um mecanismo de elaboração psíquica, um espaço onde o sujeito pode explorar, experimentar e expressar aspectos de sua experiência que escapam à fala direta. Baseando-se em teorias do desenvolvimento e na tradição gestáltica, ele ressalta que:

  • O brincar cria uma “zona liminar” entre realidade e imaginação, permitindo ao cliente testar significados e possibilidades.

  • A experiência lúdica facilita contato , um conceito central na Gestalt-terapia, e amplia a consciência e integração de aspectos do self.

  • Ao vivenciar a própria criação (por exemplo, um desenho ou jogo simbólico), o cliente frequentemente percebe, com surpresa, aspectos pessoais que antes não estavam acessíveis.


Onde isso importa na clínica?

Essa abordagem é particularmente relevante quando se trabalha com crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de simbolização, expressão emocional ou rigidez cognitiva. Em vez de reduzir a terapia a conversas lineares, o brincar, estruturado como Oaklander propõe, enriquece a relação terapêutica com profundidade e nuance.

Em síntese, o brincar terapêutico não é mero entretenimento: é um instrumento epistemológico que revela, com força, aquilo que a palavra isolada nem sempre consegue expressar.



 
 
 

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Psicóloga Carolina Bittencourt | CRP 05/64826 | Atendimento presencial na Barra da Tijuca e online em todo o Brasil

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