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Nem toda dificuldade precisa de correção: às vezes seu filho só precisa de espaço

  • Foto do escritor: Carolina Bittencourt
    Carolina Bittencourt
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Na clínica infantil contemporânea, é cada vez mais comum que comportamentos esperados do desenvolvimento sejam rapidamente interpretados como sinais de problema. A angústia adulta diante do choro, da frustração ou da instabilidade emocional da criança frequentemente gera uma demanda por intervenção imediata. No entanto, nem toda dificuldade indica a necessidade de correção. Algumas sinalizam, justamente, a necessidade de espaço.


A partir da Gestalt-terapia e da teoria do senso de si, este texto propõe uma reflexão clínica: quando intervir demais deixa de proteger e passa a fragilizar o desenvolvimento emocional da criança.


A angústia adulta e a pressa por intervir

Muitos pedidos de atendimento em psicoterapia infantil nascem menos do sofrimento da criança e mais da ansiedade do adulto diante daquilo que não consegue controlar. O comportamento infantil que escapa ao esperado, como birras, silêncio, retraimento ou agitação, costuma ser rapidamente lido como algo a ser eliminado.


Essa leitura, embora compreensível, pode gerar intervenções precoces que não respeitam o tempo necessário para que a criança organize sua experiência emocional.


O desenvolvimento do senso de si

Na teoria do senso de si, especialmente a partir das contribuições de Violet, compreende-se que a criança constrói sua percepção de quem é a partir da experiência vivida no contato com o ambiente. O senso de si não se desenvolve por explicações, correções ou direcionamentos constantes, mas pela possibilidade de experimentar, sentir e integrar.

Quando o adulto intervém excessivamente, ainda que com boas intenções, pode interromper processos internos importantes. A criança passa a se orientar mais pela expectativa externa do que pela própria experiência, fragilizando sua autonomia emocional.


Intervenção excessiva como invasão sutil

Na Gestalt Terapia infantil, respeitar o ritmo do desenvolvimento não é passividade, mas uma forma ética de intervenção. Intervir antes do tempo pode se configurar como uma invasão sutil: o adulto ocupa um espaço que ainda estava sendo construído pela criança.

Nem toda angústia infantil precisa ser corrigida. Algumas precisam ser sustentadas para que a criança possa atravessá-las e, a partir disso, fortalecer sua capacidade de autorregulação.


Psicoterapia infantil não é um processo de aceleração do desenvolvimento emocional. É um trabalho de sustentação, leitura cuidadosa e respeito ao tempo do contato.

Nem toda criança precisa de intervenção imediata. Algumas precisam, antes de tudo, que o adulto confie no processo.


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Psicóloga Carolina Bittencourt | CRP 05/64826 | Atendimento presencial na Barra da Tijuca e online em todo o Brasil

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