Por que meu filho adolescente se compara tanto?
- Carolina Bittencourt

- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Sabe por que tantos adolescentes ficam mais inseguros agora, no fim do ano?
Porque esse período muda completamente o “clima emocional” ao redor deles.
É como se tudo ao redor começasse a pedir comparação: notas, fotos, festas, viagens, corpos, conquistas, balanços.
E quando esse ambiente fica mais barulhento, eles passam a se olhar com mais dureza.
Na Gestalt-terapia, a gente entende isso de um jeito muito simples:
quando o olhar do grupo cresce, a fronteira entre “quem eu sou” e “quem o outro espera que eu seja” fica mais frágil.
O adolescente começa a se ver mais pela régua do mundo do que pela própria experiência.
Oaklander falava muito sobre isso.
Ela dizia que, quando a comparação aumenta, o adolescente vai perdendo espontaneidade.
O corpo fica mais contido, as expressões diminuem, e até nomear o que sente vira um desafio.
É como se ele começasse a guardar tudo pra dentro.
E Brisbois confirma isso nos estudos dela: é nessa hora que aparece um mecanismo bem comum: a retroflexão.
Ou seja: o jovem vira a crítica contra si mesmo.
Tudo o que ele acha que está “faltando” vira autocobrança, autocrítica, autodepreciação.
As pesquisas atuais sobre desenvolvimento dizem exatamente a mesma coisa.
Quando a comparação social sobe, a autoestima desce, a percepção de competência diminui e a sensação de inadequação cresce.
E na clínica?
Vemos isso todos os dias: retraimento, vergonha, queda de confiança, comentários sobre ser “menos” que os outros.
A boa notícia é que dá pra trabalhar isso.
A terapia ajuda o adolescente a recuperar suporte interno, a voltar a se ouvir, se expressar e reconhecer o próprio valor sem depender do olhar externo.
Mais presença, mais consciência corporal, mais autenticidade.
E, aos poucos, a autoimagem vai se reconstruindo a partir do que ele vive, e não do que ele compara.



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